quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Você prefere que seu filho seja inteligente ou esforçado?

Texto publicado na Revista Veja de 23 de Julho de 2014 - por Gustavo Ioschpe

   É difícil e trabalhoso criar filhos para que sejam felizes, sérios e realizados. Já estragá-los é tarefa mais fácil. Há várias maneiras de transformar uma criança promissora em um adulto miserável. As mais comuns têm a ver com o desamor, a repressão, a agressividade e o rigor excessivo com que muitos pais tratam os filhos. A reação a essas falhas históricas causou o problema oposto: uma vontade dos pais, nas últimas gerações, de aumentar a autoestima filial de qualquer jeito. Em inglês, italiano e francês, a palavra mimar significa estragar. É possível também arruinar o futuro de uma criança de maneira muito amorosa, com a melhor das intenções. Veja estes experimentos, conduzidos pela psicóloga de Stanford Carol Dweck .
   Dweck e colegas trabalharam com algumas centenas de crianças americanas de 11 anos. Todas elas precisaram fazer um teste de inteligência.
   No primeiro teste, as crianças deveriam resolver dez  problemas de dificuldade média. Depois que elas terminavam, o experimentador corrigia o exame e dizia a cada uma delas: "Uau, você foi muito bem nesses problemas! Acertou [x] questões. Esse é um escore muito alto!". Essa frase foi dita a todas as crianças, independentemente do seu desempenho real; as crianças ouviram um [x] igual ou superior a oito. Na etapa seguinte, elas ouviam mais uma frase, e é aqui que o experimento começa a ficar interessante. Um grupo de crianças, escolhido aleatoriamente, recebia um elogio ao seu talento: "Você deve ser muito esperto para esse tipo de problema". Um segundo grupo recebia um elogio ao seu esforço: "Você deve ter trabalhado duro para resolver esses problemas". Um terceiro grupo não ouviu nada além da informação sobre o seu escore.
   Depois dessa primeira rodada, o experimentador perguntava que tipo de problema a criança queria resolver, dando a ela quatro opções. Uma delas tinha o objetivo de aprendizado ("problemas com os quais eu aprenderei muito, mesmo que não aparente ser muito esperto"), enquanto as outras três
tinham como objetivo mostrar sua habilidade ("problemas que sejam fáceis, para que eu vá bem"). Independentemente do que cada criança escolhia, todas elas receberam uma segunda batelada de dez problemas - desta vez com um nível de dificuldade bem mais elevado.
   Os experimentadores então diziam às crianças que elas tinham ido muito mal nessa segunda rodada, acertando menos da metade dos problemas (mesmo que, na verdade, elas tivessem acertado mais do que isso). Depois de receberem esse feedback negativo, as crianças respondiam se queriam continuar a resolver problemas, quanto gostavam de resolvê-Ios, que autoavaliação faziam e corno explicavam o seu desempenho. Finalmente, as crianças precisavam resolver um terceiro grupo de dez problemas. Essa última batelada de perguntas tinha o mesmo nível de dificuldade do primeiro grupo de problemas. Então os pesquisadores tabularam os resultados, tanto do desempenho nos exercícios quanto nas perguntas finais.
   O incrível desse experimento e de outros semelhantes é o enorme impacto que uma simples frase teve no comportamento das crianças. Aquelas que receberam elogio por sua inteligência atribuíram seu desempenho ao seu talento, enquanto as que receberam elogio por seu esforço atribuíram seu resultado a quão duro haviam trabalhado. O tipo de problema que as crianças optaram por resolver nas etapas seguintes também foi significativamente influenciado pelo comentário do experimentador: 67% daquelas que receberam elogios por sua inteligência preferiam trabalhar em problemas fáceis que lhes permitissem continuar parecendo inteligentes, enquanto 92% das elogiadas por seu esforço queriam problemas em que pudessem aprender mais. As crianças elogiadas por sua inteligência explicaram seu desempenho em termos de habilidades fixas, enquanto aquelas elogiadas por seu esforço o explicaram em termos da intensidade de energia que devotaram aos problemas. Como o talento é fixo, mas o esforço é mutável, as crianças que atribuíram seu sucesso ao talento sofreram um baque quando fracassaram. Elas perseveraram menos nos problemas e declararam gostar menos de    resolvê-Ios do que aquelas elogiadas por seu esforço.
   Agora eis aqui a parte mais interessante e preocupante. Na primeira batelada de problemas, as crianças dos três grupos tiveram um desempenho indistinguível. Já na terceira rodada, depois que elas passaram pelos elogios da primeira e pelo fracasso na segunda, as diferenças foram marcantes. 
As crianças que não receberam elogio algum tiveram uma leve melhoria no acerto, de 0,13 pergunta.
As crianças que receberam elogios por seu esforço tiveram uma melhoria significativa, de 1,21 pergunta. Aquelas elogiadas por sua inteligência tiveram um decréscimo significativo, de 0,92 pergunta.
   Uma mísera frase de um experimentador desconhecido fez com que o desempenho das crianças tivesse uma variação de mais de 20%. Imagine o efeito cumulativo de um tratamento semelhante feito por alguém que uma criança ama e admira, como os pais ou, em menor escala, os professores.
Acho incrível a quantidade de pessoas que, vindas de famílias estáveis financeira e emocionalmente e tendo cursado boas escolas, não realizam nada de significativo na vida. Passam a carreira inteira sem gostar do que fazem, em empregos que não oferecem riscos, sempre dizendo querer fazer outra coisa. São focadas não em chegar ao seu máximo, mas em evitar o fracasso, a dor, a frustração. Para alguém que teve seu desempenho atribuído ao talento - e não ao esforço -, o fracasso significa o desmonte da autoestima, e é evitado a todo custo.
   Lembrei-me também de outro experimento, conduzido por Dan Ariely, em que homens de meia idade deviam colocar a mão em uma bacia de água pelando. Precisavam então identificar quando começavam a sentir dor. Ariely mediu também quanto tempo cada um deles conseguia deixar a mão submersa. Os homens em questão faziam parte de um clube para feridos do Exército israelense, classificados em dois grupos: o daqueles que passaram por dor moderada (quebrar um cotovelo, por exemplo) e o dos que tiveram de lidar com dores muito fortes e duradouras (vítimas de minas). Aqueles que tinham experimentado a dor forte, mesmo que décadas antes, demoraram o dobro do tempo para dizer que sentiam dor e deixaram a mão na água quente pelo dobro do tempo dos que passaram por dor moderada. Nietzsche tinha razão: o que não mata fortalece.
   É claro que não estou aqui sugerindo que voltemos ao passado tenebroso em que pais faziam da vida dos filhos um calvário sob a desculpa de os estarem "preparando para a vida". Mas parece claro que, com toda a cascata de elogios, massagens na autoestima, "é um gênio!" pra lá e pra cá, estamos prestando um desserviço aos nossos filhos (e alunos) e criando uma geração de fracos. É justo e elogiável que pais queiram preparar os filhos para o sucesso. Mas lidar com o sucesso é relativamente fácil. Se queremos que nossos filhos realizem todas as suas potencialidades - e busquem sempre aumentá-Ias -, precisamos mesmo é prepará-Ios para o fracasso. O segredo não é evitar a queda, mas conseguir se levantar. E seguir a caminhada.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

44º Seminário Regional

DROGAS COMO AMEAÇAS: QUAIS DEFESAS?

Nosso Seminário este ano será sobre um assunto muito importante, que não deve nunca ser subestimado..

Teremos como palestrante nossa querida amiga Helena Demétrio Gasparini, especialista em Prevenção e pesquisadora sobre Drogas.
Será realizado no dia 14 de Agosto de 2015, às 20 horas, na Uninter - Campus Divina Providência.

Aguardamos sua presença em nosso evento.

terça-feira, 12 de maio de 2015

ESCOLA DE PAIS: AUXILIANDO A FAMÍLIA BRASILEIRA

ESCOLA DE PAIS: AUXILIANDO A FAMÍLIA BRASILEIRA

    A atualização e o questionamento quanto à maneira de viver como pais é constante, bem como a necessidade de adaptação às exigências educacionais atuais.
    O trabalho da Escola de Pais do Brasil (EPB) tem caráter preventivo e permite auxiliar o papel dos pais na formação de seus filhos. Uma das formas de aprendizado é a troca de experiências nos Círculos de Debates realizados pela entidade, por meio dos quais há uma constante educação e o desenvolvimento de cada participante como ser humano.
    É importante salientar que a EPB, dentro de sua filosofia, tem como primeira ação os pais e não os filhos. Os filhos serão os grandes beneficiados quando seus pais estiverem melhor preparados para orientá-los com segurança e consciência.
    Desde seus primeiros passos e reflexões, a EPB considerou o casal e não simplesmente o homem e/ou a mulher. É o casal que educa por meio do relacionamento entre si e com os filhos. O homem e a mulher podem e devem se comprometer para sempre, entre si e com seus filhos. Para cumprir esta missão, o casal deve crescer constantemente, pois os filhos nascem, crescem e a cada tempo vivem uma fase diferente.
    Os associados da EPB não são profissionais preparados em universidades, mas são pessoas com­prometidas com a educação e com a comunidade que, com simplicidade e dedicação, prestam o seu serviço não apenas pregando a educação para o amor, mas também procurando viver esta realidade.
    Para alcançar seus objetivos, o trabalho da EPB envolve sete encontros semanais cujos temas foram renovados em 2014.

Segue um resumo da aborda­gem de cada tema:

1º. EDUCAR É UM DESAFIO
A rapidez das transformações do mundo nos coloca em conflito em relação à educação que temos que oferecer aos nossos filhos hoje, e é de grande importância estarmos atualizados a fim de intervir de maneira efetiva no processo educacional. Amor e segurança são duas necessidades básicas para atender os filhos para que seu desenvolvimento seja saudável.

2º.  VALORES E LIMITES NA EDUCAÇÃO
A primeira escola do aprendizado dos valores é na casa dos pais e/ou cuidadores. Família e/ou cuidadores são responsáveis pelo desenvolvimento físico, psicológico e intelectual dos filhos, o que envolve também dar conhecimento dos limites. Limites bem colocados transmitem segurança aos filhos.

3°. PAI, MÃE E AGENTES EDUCADORES
Pai: a compreensão de sua função paterna como elemento de equilíbrio no desenvolvimento dos filhos – a terceira pessoa.
Mãe: enfrenta hoje várias jornadas de trabalho e precisa optar entre caminhos de difícil conciliação. O bom relacionamento com parceiro e filhos contribuem para o desenvolvimento equilibrado dos mesmos.
Agentes educadores: avós, tios, padrasto, madrasta ou qualquer outra pessoa com responsabilidades por um educando – grande missão.

4º. EDUCAÇÃO DO NASCIMENTO À PUBERDADE
Conhecer e respeitar o amadurecimento das crianças de acordo com sua fase/idade, fazendo uso de limites e autoridade necessários, com amor. Medo, ciúme, mentira, castigo e recompensa são adversidades frequentes na vida de nossos filhos. É possível ajudá-los com o conhecimento das fases pelas quais passam e, a partir daí, encontrar caminhos que ajudem a compreendê-los melhor. A parceria com a escola ajuda na adaptação, socialização e aprendizagem dos filhos na escola que escolhemos para eles.

5º. ADOLESCÊNCIA: O SEGUNDO NASCIMENTO
A adolescência, como fase crítica de transição, reúne características que os pais precisam conhecer e saber lidar, para então encontrar caminhos que ajudem a compreendê-los melhor. Diálogo e paciência são necessários, assim como a imposição de limites. Incentivos e elogios mais frequentes também permitem administrar a instabilidade emocional desta fase. É necessário ser presente e demonstrar amor; os filhos ainda querem colo, mas longe da vista dos amigos.

6º. SEXUALIDADE NO CICLO DE VIDA DA FAMÍLIA
Para o desabrochar de uma sexualidade serena, integradora e digna, é necessário a informação, atualização e diálogo constante. Nessa fase acontece turbulência hormonal e sexual, vulnerabilidade individual, social e familiar dos jovens. As consequências por falta de informação/formação/acompanhamento podem ser: início precoce da vida sexual, gravidez, DSTs/AIDs e múltiplos parceiros.

7º. CIDADANIA E A CULTURA DA PAZ
Precisamos estar em sintonia com o que está à nossa volta e comprometidos com uma ação transformadora que nos eleve a autoestima, proporcione uma visão ampla e nos inspire a lutar por nossas metas. A educação dos filhos deve ser pautada na ética e em valores sólidos que os tornem melhores cidadãos. Neste encontro é abordado a violência que pode ocorrer na família, as leis que protegem seus membros e a cultura da paz como um meio de neutralizar a violência, caso surja.


Marlene e José Carlos Pereira
Casal Vice-Presidente e Diretor de Seminários, Congressos e Eventos

EPB – Seccional de Curitiba/ PR